Dizemos credibilidade, mas é a mesma coisa que dizer ‘competência’. É, muitas vezes, o primeiro ingrediente necessário para liderar uma organização e construir um negócio de sucesso.

Um líder, normalmente, costuma começar por saber como fazer bem determinado trabalho ou ter profundo conhecimento em determinado setor. Tal conhecimento faz com que ele adquira credibilidade, que as pessoas à volta dele o respeitem, porque diz coisas corretas.

A maior parte dos gerentes de pequenas e médias empresas começa sua carreira desenvolvendo bastante essa característica. São grandes especialistas na produção, ou então, são grandes especialistas comerciais. Isso confere a eles credibilidade suficiente para começar a construir um grupo. Mas um erro comum é que COM O CRESCIMENTO DE SUA EMPRESA, ELES NÃO DESENVOLVERAM SUAS COMPETÊNCIAS NO MESMO GRAU. Em outras palavras, sua empresa cresceu, mas eles permaneceram apenas especialistas na produção. Ou então, permaneceram especialistas comerciais. Notem que não estou dizendo que não adquiriram experiência. Adquiriram muitas. Porém, não desenvolveram OUTRAS competências que AGORA são necessárias.

Poderíamos dizer que o empreendedor, assim como o responsável intermediário da pequena ou média empresa, seja sempre empurrado, com a expansão dos negócios, para outras regiões de “incompetências pessoais”. Veja um exemplo: Eu administro a parte comercial de uma empresa. Sou o único vendedor. As capacidades que me são exigidas são unicamente aquelas de saber vender bem e de receber. Visto que sou um bom comerciante, a empresa cresce. Quando a empresa cresce, me encontro forçado a inserir outros vendedores (não consigo mais, sozinho, administrar a empresa, vender, visitar todos os clientes, etc.). Agora, a habilidade que me é exigida não é mais apenas aquela de saber vender. Devo, também, saber formar, motivar e fazer com que outros vendedores se aperfeiçoem. Essa é uma habilidade nova. Fui empurrado para uma “zona de incompetência”, porque nunca ninguém me ensinou como gerenciar vendedores.

Se superar essa incompetência pessoal e conseguir a aprender como formar, motivar e fazer com que meus vendedores se desenvolvam, o que vai acontecer? Minha empresa crescerá ainda mais e, por consequência, surgem novas necessidades: produção, compras, administração de orçamento, previsões de venda, estatísticas e marketing. Mais uma vez, fui empurrado para uma zona de incompetência. Se conseguir superar essa incompetência, o que acontecerá, muito provavelmente? Minha empresa crescerá ainda mais.

Agora não tenho mais tempo sequer de ajudar os vendedores, de ver seus números, de responder a seus telefonemas. Tenho necessidade de escolher um novo gestor (o que, notem bem, não é a mesma coisa que eleger um novo vendedor. Mais uma vez, me encontro numa zona de incompetência. Se eu devolver a habilidade de criar um responsável pelas vendas que possa administrar e fazer com que prospere uma rede de vendas sob seu comando, minha empresa crescerá ainda mais.

Dei o exemplo da área comercial, mas poderia dar o mesmo exemplo com a administração. Na medida em que a empresa cresce, meu responsável administrativo deve desenvolver novas capacidades, novas competências.

Todos os gerentes, e principalmente os empreendedores das pequenas e médias empresas, estão sujeitados a essa evolução, de modo que, NA MEDIDA EM QUE A EMPRESA CRESCE, SÃO EMPURRADOS PARA NOVAS ZONAS DE INCOMPETÊNCIA.

Se o empreendedor preencher suas lacunas e adquirir nova competência e novas capacidades, a empresa continua a crescer. Quando o empreendedor deixa de se desenvolver, geralmente acontece o mesmo com sua empresa.

Laurence Peter fala desse conceito em seu famoso livro ‘O princípio de Peter’, mas involuntariamente aplica tal princípio apenas com os colaboradores da empresa. Na realidade dos fatos, as empresas param de crescer quando o empreendedor, continuando a expandir sua empresa sem se ocupar com as zonas de incompetência que foram criadas, se encontra num estado de GRANDE OU TOTAL INCOMPETÊNCIA.

Nesse momento, sua credibilidade é perdida. Quando dá ordens, no instante em que os colaboradores as realizam, percebem que a análise do líder estava errada. Ou então, vendo os erros e as ‘asneiras’ do líder, os colaboradores começam a pensar que ‘eles sabem mais do que ele’ e, por consequência, o respeito, assim como a credibilidade, são perdidos.

Para ilustrar, voltemos ao exemplo da equipe de vendas. Todos vocês irão concordar com o fato de que, se alguém não for um vendedor razoavelmente bom, terá grandes dificuldades para administrar com eficiência um grupo de vendedores. A última arma que o vendedor pode recorrer quando é colocado na parede é: ‘Tudo bem, me mostre como você faz…’, uma disputa que o líder incompetente não seria capaz de vencer.

Também é verdade que, nos dias de hoje, a tecnologia se desenvolve tão rapidamente que é quase impossível acompanhar seus passos. Não é possível que se espere conhecer todas as coisas e todos os procedimentos usados por nossos colaboradores. Se delegar para um bom colaborador uma função que até ontem eu mesmo desenvolvia, corro o risco de, em um ano, ele saber mais do que eu. Não é que eu deva estudar durante a noite para acompanhá-lo. Devo, porém, me tornar um especialista na motivação, devo me tornar bom para inspirá-lo e dirigi-lo.

Em outras palavras, devo permanecer competente, desenvolvendo outras capacidades. Esse é o único modo que nos permitirá prosperar como empreendedores, em uma sociedade na qual a mudança se tornou muito rápida.

Como assinalei anteriormente, uma das características principais dos melhores gerentes é o fato que essas pessoas dedicam tempo à ‘autoformação’: leem livros, participam de cursos, vão visitar colegas que tiveram maior sucesso e procuram aprender o que fizeram. Provavelmente, uma das características principais que diferencia os verdadeiros líderes das ‘pessoas comuns’ é a sua capacidade de APRENDER CONSTANTEMENTE, a capacidade de exercitar e modelar a própria personalidade para torná-la cada vez mais adaptada ao trabalho que deveriam desenvolver.

Quantos dias você dedicou PARA SUA FORMAÇÃO PESSOAL? Quantos livros você leu no último ano?

Muitas vezes o início de nossa falta de liderança pode diretamente aparecer no momento em que deixamos de pensar que ‘preciso aprender’.

É um fato que, com o crescimento de nossas empresas, cada um de nós se vê empurrado para áreas que não conhece, se vê obrigado a desenvolver trabalhos pelos quais não é competente.

Quando essas áreas, ou essas lacunas, se tornaram muitos grandes, não somos mais dignos de crédito por nossos colaboradores.

Apenas o líder que continua a desenvolver de maneira constante suas competências e seu conhecimento pode esperar manter sua liderança em longo prazo.

Se quiser desenvolver essa característica, observe quais são as áreas de seu trabalho nas quais deveria desenvolver maior competência, inscreva-se em cursos, leia livros. Torne sua formação pessoal uma atividade ordinária muito mais do que extraordinária.

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